A minha Lista de blogues

Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Rimas de horário e calendário

 Calendário
Amanhã é domingo,
Toca o sino.
O sino é de ouro,
Pica-se o touro.
O touro é bravo,
Pica-se no rabo.

Fonte:http://alfarrabio.di.uminho.pt/

Os meses do ano

Janeiro geoso
Fevereiro nevoso
Março molinhoso
Abril chuvoso
Maio ventoso
- fazem o ano
muito famoso.


Semana da Preguiçosa

Na segunda me deito
Na terça me levanto
Na quarta é dia santo
Na quinta vou à feira
Na sexta venho da feira
Sábado vou –me confessar
No domingo comungar
Diga-me lá, ó comadre,
Quando hei-de trabalhar?

Fonte: VIEIRA, Alice, Eu bem vi nascer o sol, Caminho.

Poemas

Livro
Um amigo
Para falar comigo
Um navio
Para viajar
Um Jardim
Para brincar
Uma escola
Para levar
Debaixo do braço
Para além do tempo
E do espaço.

Autora: Luisa Ducla Soares (escritora portuguesa)


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Contos Portugueses

A VELHA E OS LOBOS

Uma velha tinha muitos netos, um dos quais estava ainda por baptizar. Um dia, a boa velhinha saiu a procurar um padrinho para o seu netinho e no caminho encontrou um lobo que perguntou:
– Onde vais tu, velha?
Ao que ela respondeu:
– Vou arranjar um padrinho para o meu neto.
– Ó velha, olha que eu como-te.
– Não me comas que, quando se baptizar o meu menino, dou-te arroz-doce.
Foi mais adiante e encontrou outro lobo que lhe fez a mesma pergunta e ela deu-lhe a mesma resposta. Depois encontrou um homem que lhe perguntou o que ela ia fazer e, como ela lhe respondesse que ia procurar um padrinho para o seu neto, ele ofereceu-se logo para isso.
Depois a velha contou-lhe o encontro que tinha tido com os lobos e o homem deu-lhe uma grande cabaça e disse-lhe que se metesse dentro dela que assim viria ter a casa sem que os lobos a vissem. A velha meteu-se na cabaça e esta começou a correr, a correr, até que encontrou um lobo que lhe perguntou:
– Ó cabaça, viste por aí uma velha?
– Não vi velha nem velhinha;
Não vi velha nem velhão;
Corre, corre, cabacinha,
Corre, corre, cabação.
Mais adiante encontrou outro lobo que lhe perguntou também:
– Ó cabaça, viste por aí uma velha?
– Não vi velha nem velhinha;
Não vi velha nem velhão;
Corre, corre, cabacinha,
Corre, corre, cabação.
A velha, julgando que já estava longe dos lobos, deitou a cabeça fora da cabaça, mas os lobos que a seguiam, saltaram-lhe em cima e comeram-na.

Fonte: COELHO, Adolfo, Contos populares Portugueses, Leya, 2009

Destrava-Línguas

Perto daquele ripado
Está palrando um pardal pardo.
- Pardal pardo porque palras?
- Eu palro e palrarei,
Porque sou o pardal pardo
Palrador d’ el-rei.

Debaixo daquela pipa
Está uma pita.
Pinga a pipa,
Chia a pipa,
Chia a pipa,
Pinga a pipa.

Fonte: Costa, Maria José, Um Continente Poético Esquecido: Rimas Infantis, Porto, Porto Editora.



Esta burra torta trota
Trota, trota, a burra torta.
Trinca a murta, a murta brota
Brota a murta ao pé da porta.

Um ninho de mafagafas
Com sete mafagafinhos
Quando o mafagafa gafa
Gafam os setes mafagafinhos.

O rato roeu
A rolha da garrafa
De rum
Do rei Ricardo da Rússia

Olha o sapo dentro do saco,
O saco com sapo dentro.
O sapo batendo papo
E o papo soltando vento.









Trava-línguas

Acolá naquele outeiro
Vai um frade,
A encolher cordões,
A estender cordões,
A encolher cordões;
Quanto mais o frade corre,
Mais os cordoes se lhe encolhem,
Quanto mais o frade corre,
Mais os cordões se lhe encolhem, etc.

Esta casa está ladrilhada.
Quem a desaladrilhará?
- O desaladrilhador.
Quem a desaladrilhar
Bom desaladrilhador será.

Fonte: Costa, Maria José, Um Continente Poético Esquecido: Rimas Infantis, Porto, Porto Editora.


Bispo de Constantinopla

 
Se o Bispo de Constantinopla a quisesse desconstantinoplatanilizar não haveria desconstantinoplatanilizador que a desconstantinoplatanilizasse desconstantinoplatanilizadoramente.
Fonte: http://www.o-escriba.com/ocio/trava_linguas.htm


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Adivinhas





Dão-se muitos em pequeno,
dão-nos tios e avós,
dão-nos os nossos amigos
e também os damos nós.
Dão-se muito de mansinho
pela calada da noite,
e até a dá-los na rua
há já muito quem se afoite.
Tem cinco letras apenas
E I O são as vogais
queira o leitor decifrar
que eu não devo dizer mais.
R: O beijo


Sou careca e parente de carecas,
minha mãe é desdentada
o meu pai é cantador
mas eu não sou da mesma cor.
Quem sou eu?
R: O ovo


Qual é coisa qual é ela que se cria sem comer?
R: A fome

Qual é coisa qual é ela
Que tem três capas de inverno:
A primeira mete medo,
A segunda é lustrosa,
A terceira é amargosa.
R: A castanha


Para andar lhe ponho a capa
E tirei-lha para andar;
Que ele sem capa não anda
nem com ela pode andar.
De que estou a falar?
R: O pião


Altos castelos, lindas janelas, abrem e fecham, ninguém mora nelas.
R: Olhos
Faça sol ou faça frio, ele tem sempre onde morar, veio do mundo senhorio, mas como o pai e o tio não pode a casa alugar.
R: Caracol

Faço os olhos bonitos e os coelhos são doidos por mim, cresço de pé e sirvo para pratos sem fim.
R: Cenoura

Foi feita para impedir, também para deixar passar, meu dono pode-me abrir que esse nunca vai roubar.
R:Porta

Não sou bonita, mas tenho cabeleira, a minha cabeça é de pau, e sou das limpas e estimada.
R: Escova

Lenga-Lengas

Chica Larica

Chica larica
De perna alçada
Comeu uma galinha
Na semana passada
Se mais houvesse
Mais comia
Adeus senhor padre
Até outro dia


As vogais


"Vem lá o A
Menina gordinha
Redondinha
Ao pé
Que vem o E
Que vivo que é!
Depois o I
E ri
Com o seu chapelinho
No caminho
De pópó, vem o O
E gira na mó
Por fim vem o U
No seu comboio
A fazer U-u-u-u"


Fonte: http://www.angelfire.com/80s/traquinas/Links/lengalengas.htm (17/01/2011; 09:45)



Dedos da mão

Pequenino
Seu vizinho
Pai de todos
Fura bolos
Mata piolhos.

Este diz: quero pão
Este diz: que não há
Este diz: que Deus dará
Este diz: que furtará
Este diz: alto lá!

Fonte: VIEIRA, Alice, Eu bem vi nascer o sol, Caminho.



A Cara

Este queixo
Queixoeiro,
Esta boca comedeira,
Este nariz narizete,
Esta testa de melão,
Estes cabelinhos de ouro,
Foge rato que te estouro.


Fonte:Soares,Luísa Ducla,pag 7, Livros Horizonte, edição 2008

Lendas Portuguesas



Distrito de Faro:

Lenda da Castelã Moura de Salir

A vila de Salir, no Algarve, deve o seu nome à filha do alcaide de Castalar, Aben-Fabilla, que fugiu quando viu o seu castelo ameaçado pelo exército de D. Afonso III. Antes de fugir, o alcaide enterrou todo o seu ouro, pensando vir mais tarde resgatá-lo. Quando os cristãos tomaram o castelo encontraram-no vazio, à excepção da linda filha do alcaide que rezava com fervor que tinha preferido ficar no castelo e morrer a "salir". De um monte vizinho, Aben-Fabilla avistou a filha cativa dos cristãos e com a mão direita traçou no espaço o signo de Saimão, enquanto proferia umas palavras misteriosas. Nesse momento, o cavaleiro D. Gonçalo Peres que falava com a moura viu-a transformar-se numa estátua de pedra. A notícia da moura encantada espalhou-se pelo castelo e um dia a estátua desapareceu. Em memória deste estranho fenómeno ficou aquela terra conhecida por Salir, em homenagem pela coragem de uma jovem moura. Ainda hoje no Algarve se diz que em certas noites a moura encantada aparece no castelo de Salir.

Fonte: http://lendasdeportugal.no.sapo.pt/ (17/01/2011; 09:30)


Distrito de Braga:

O Senhor do Galo de Barcelos e o Milagre do Enforcado

Esta lenda está associada a um antigo padrão de pedra de Barcelos, de origem desconhecida, que tem em si gravados, em baixo relevo, a Virgem, S. Paulo, o Sol, a Lua e um Dragão de um lado e do outro um Cristo Crucificado, um Galo e Santiago sustentando um enforcado. Na origem da lenda está um crime perpetrado em Barcelinhos que ficou impune, apesar das sérias investigações das autoridades de então. Este crime ficou esquecido até que um dia um peregrino galego que se dirigia a Santiago parou para passar a noite no albergue local. Ao jantar, enquanto ceava, reparou que alguém o observava fixamente mas não fez caso e continuou a sua refeição. O observador saiu do albergue, dirigiu-se a casa do juiz, e acusou o peregrino da autoria do crime. Preso, o crente galego não conseguia apresentar provas da sua inocência, tendo sido levado para as masmorras, julgado e condenado à forca. No dia do enforcamento, o peregrino pediu, como sua última vontade, que o levassem à presença do juiz que tão injustamente o tinha julgado. Perante o juiz, que estava em sua casa preparando-se para trinchar um magnífico galo assado, o condenado ajoelhou-se. Seguidamente, afirmou a sua inocência e suplicou que não o enforcassem, pois era a primeira vez que estava em Barcelinhos e nunca tinha visto a vítima do crime. O juiz não se comoveu. Então, o galego invocou a ajuda de Santiago e perante todos afirmou que era tão certo estar inocente como o galo assado cantar antes do dia acabar. Todos os convivas presentes se riram da afirmação mas, supersticiosamente, não tocaram no galo. À noite, observaram com espanto que o galo se cobria de penas novas, se levantava e batia asas para cantar com energia. Correram todos para o lugar da forca e encheram-se de espanto ao ver o peregrino vivo, com uma corda lassa à volta do pescoço, apesar de estar pendurado. Atemorizados por este facto insólito, libertaram o peregrino galego, deixando-o seguir o seu caminho. Diz-se que em agradecimento pela ajuda de Santiago, o peregrino mandou colocar o padrão que ainda hoje lá se encontra.

Fonte: http://lendasdeportugal.no.sapo.pt/ (17/01/2011; 09:30)

Açores:

Lenda das Sete Cidades

Conta a lenda que o arquipélago dos Açores é o que hoje resta de uma ilha maravilhosa e estranha onde vivia um rei possuidor de um grande tesouro e uma imensa tristeza por não ter um filho que lhe sucedesse no trono. Esta dor tornava-o amargo com a sua rainha estéril e cruel com o seu povo. Mas uma noite perante os seus olhos desceu uma estrela muito brilhante dos céus que aos poucos se foi materializando numa mulher de beleza irreal envolta em luz prateada. Com uma voz que mais parecia música essa mulher prometeu-lhe uma filha bela como o sol sob a condição que o rei expiasse a sua crueldade e injustiça através da paciência. O rei teria que construir um palácio rodeado por sete cidades cercadas por muralhas de bronze que ninguém poderia transpor. A princesinha ficaria aí guardada durante trinta anos longe dos olhos e do carinho do rei. O rei aceitou o desafio. Decorreram 28 anos e com eles cresceram a impaciência e o sofrimento do rei, que um dia não aguentou mais. Apesar de ter sido avisado que morreria e que o seu reino seria destruído, o rei dirigiu-se às muralhas, desembainhou a espada e nelas descarregou a sua fúria. A terra estremeceu num ruído terrível e das suas entranhas saíram línguas de fogo enquanto que o mar se levantou sobre a terra e a engoliu. No fim de tudo, restaram apenas as nove ilhas dos Açores e o palácio da princesa, transformado agora na Lagoa das Sete Cidades dividida em duas lagoas: uma verde como o vestido da princesa e a outra azul da cor dos seus sapatos.

Fonte: http://lendasdeportugal.no.sapo.pt/  (17/01/2011; 09:30) 

Distrito de Setúbal:
A LENDA DA CAPARICA


Tudo começou há longos anos, quando uma menina contemplava o mar, numa tarde calma e branca de calor.
Ela não sabia que estava a ser observada por um velho, que se sentia intrigado com aquela criança, embrulhada numa capa. Foi falar com a menina e ela explicou-lhe que vivia só, que se chamava Miúda e que sempre tivera aquela capa.
O velho estava admirado. Como era possível que uma menina tão pequena andasse pelo mundo sem eira nem beira? Propôs-lhe viverem juntos, pois ele também estava só e tinha uma casinha no alto do monte, junto ao mar.
Assim foi. Ficaram juntos, ele envelhecendo e ela a crescer. Viviam com o que havia: o sol, o mar, os mariscos das rochas. Um dia, o velho achou que era tempo de se ir embora. Pediu à miúda a sua capa, porque tinha frio. Ela pôs-lha sobre o corpo, deu-lhe a mão e deixou-se dormir juntamente com ele. Quando acordou, ele já estava morto e a Miúda enterrou-o numa sepultura perto da igrejinha da Senhora do Monte. Deixou de chamar-se Miúda e escolheu para si o nome de Mulher.
Continuou a viver naquela casa, solitária. A sua vida era a mesma de sempre; as suas vestes, a velha capa. A Mulher viveu ali tantos anos, que lhe perdeu a conta.
Certo dia, reparou que a gente da zona começava a olhá-la estranhamente, como se tivessem medo dela. Não atinava porquê, já que ela nada mais era do que a Mulher velha e solitária, a Mulher da capa que, afinal, todos conheciam desde sempre. E agora ouvia dizer baixinho, quando descia à aldeia: "Bruxa, bruxa!".
Entristeceu, porque desconhecia o motivo por que lhe chamavam tal nome e porque não sabia que dentro de si saía uma luz desconhecida, quando no alto do monte erguia os braços ao sol ou à lua, na sua saudação diária.
As pessoas foram contar ao Rei e este mandou-a chamar, dizendo-lhe que ela era poderosa e que fazia ouro e malefícios. Ela ficou muito admirada e replicou que era tão pobre que só tinha aquela capa desde que nascera. O Rei olhou a Mulher e viu que era verdade. Mandou-a embora, com vergonha.
Um dia, quando as gentes da aldeia souberam da morte da Mulher pelo dobre dos sinos da Senhora do Monte, acorreram à velha morada cheias de curiosidade. Sobre o seu corpo estava a velha capa e sobre esta encontrava-se um papel destinado ao Rei. Nele estava escrito: "Meu Senhor: deixo-vos esta capa que tenho desde que nasci. Encontrei nela todo o ouro que diziam que eu tinha: foi o meu velho companheiro que, antes de se ir embora, aí o meteu. Eu nunca o tinha visto e agora que vi, não preciso dele. Utilizai-o nesta terra para que todos tirem dele o que mais desejarem. Afinal a minha capa era uma capa rica. Que o meu Deus vos abençoe."
Foi assim que apareceu o nome de Caparica, em memória de uma Mulher que ali surgiu um dia, quando era Miúda, vinda dos caminhos da Terra, coberta por uma capa já velha.